dezembro 27, 2024

Amar Mata (Poema)

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Sonhei que corria

Era num imenso jardim

Tinha de todo tipo de flor

De orquídea à jasmim


Me sentia repuxado

Uma específica me chamava

Era linda, tinha cheiro famigerado


Tentei pegar, mas ela voava

Quanto mais eu ia, mais ela fugia

Quando enfim lhe toquei

Ela me perfurou


Em meu sangue

Suas pétalas se banhavam 

Seus espinhos com veneno me penetraram

Aquele que perseguia poesia, agora morria em agonia


dezembro 18, 2024

SUSSURROS TEMPESTUOSOS

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Caminhando sozinho,

Viajo, vejo suas residências,

Casinhas singelas, histórias,

Gigantes de enredos tão profundos,

Me pego pensando,

Viajando entre mundos.


Tanto caos nos rostos,

Tramas tensas, sofridas,

Alguns amargurados,

Outros, infelizes.


Quantas lágrimas banham as ruas,

Quantos abandonados amaldiçoam solidões,

Quantos pobres de alma e coragem desejam o que lhes faltam,

E murmuram,

E quão pouco fazem para dali saírem.


Ciclo vicioso que se forma,

Alguns convertem dor em resiliência,

Outros se desculpam com vitimismo barato,

E a sociedade segue um rumo,

Onde ninguém é feliz com nada.


julho 14, 2024

Quem é Você na sociedade? Herói ou vilão?

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Já reparou como a sociedade vem se tornando cada vez pior e mais individualista? O outro que morre ao lado já não te comove, alguém padecendo de fome não te desperta compaixão e saber que tantos falecem de frio, calor, cheios de traumas e perturbações, são apenas problemas de pessoas desconhecidas, de longe e que não te afetam diretamente. Está bem, todos temos nossos próprios problemas e por que deveríamos nos preocupar com o que o outro passa se ninguém se importa conosco?

A realidade é que, às vezes, nos fechamos para o mundo por sermos negligenciados, outros simplesmente por serem egoístas mesmo. Mas o que poderíamos fazer pelo outro então? Um sorriso, uma palavra amiga e, se puder, qualquer ato de caridade. Ajudar os outros também fortalece nosso espírito e ainda salva vidas. Mas esperar algo em troca, é correto? Na verdade não. Não se faz nada esperando algo em troca, até porque, você nem sempre será recompensado por tudo que faz e também, não seria um ato de generosidade sincera e genuína se não estivesse sendo feito de coração e sim apenas esperando que algum dia fosse obter retorno. Moedas de troca não funcionam numa oferta de amor. Ainda que seja esperando alguma reciprocidade de carinho e gratidão ou qualquer outro sentimento. Sentimentos não se compram. É importante saber que alguns serão gratos e outros não. Alguns reconhecerão e demonstrarão e outros não. Cada pessoa tem sua forma de reagir e isso sempre foi assim, desde o início da humanidade.

 

Em outras palavras, é importante saber que seja distribuindo rosas, comida ou simples palavras de amor, melhora um minuto, um dia e talvez a vida de outra pessoa. Já imaginou como seria bonito o mundo se todos se importassem mais com o amor ao próximo ao invés de julgar, disseminar o ódio e a intolerância? Você tem a escolha hoje de ser um vilão ou um herói, ou simplesmente alguém de bom coração.

maio 25, 2024

UMA CARTA DE AMOR NO METRÔ

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Crônica: 

Uma Carta de Amor no Metrô


Ao entrar no metrô, um pouco cansado, procurei um lugar para sentar. Todos estavam ocupados, até que finalmente encontrei um assento disponível. Era uma daquelas cadeiras únicas que ficam de frente uma para a outra, também única. Em minha frente, um jovem vestindo uma blusa de time e shorts jeans, porém, fazendo algo diferente dos demais passageiros que estavam ocupados mexendo em seus celulares: ele estava escrevendo uma carta. No início, fiquei observando-o; ele parecia sorrir enquanto escrevia. Achei interessante e bastante poético alguém nos dias atuais optar por escrever uma carta, uma forma de comunicação que foi banalizada por muitos com a chegada da tecnologia. Embora compreensível, já que uma mensagem instantânea chega imediatamente, enquanto uma carta requer tempo. Ainda assim, a atitude era poética. Enquanto isso, o jovem continuava a escrever, parava, sorria e recomeçava. Era um ciclo vicioso. Aos poucos, voltei a me distrair com meu celular e minhas redes sociais, e acabei me esquecendo dele ali.

 

Concentrado em meu celular, não percebi que o vagão estava esvaziando. Já não havia quase ninguém ao nosso redor, e quando finalmente notei, me preparei para mudar de lugar, até que o jovem interveio. 'Olá, poderia me ajudar rapidinho? Já está de saída?', perguntou ele, um tanto nervoso e sorridente. Respondi imediatamente: 'Ainda não. Só desço na última estação. Em que posso te ajudar?'. Ele pediu minha opinião sobre uma carta que estava escrevendo para sua namorada. Inicialmente recusei, dizendo que não tinha autoridade para opinar, mas ele insistiu, e acabei lendo. Ele escrevia muito bem, demonstrando claramente seu amor pela moça e relembrando momentos especiais que compartilharam. Utilizavam a data do primeiro encontro de cada mês para marcar outros momentos significativos, como 'primeiro encontro, pedido de namoro, primeira viagem'. Ele se referia a essas datas como 'nosso dia'. Era encantador, não é mesmo? No final, mencionava que ela o ajudou a superar o momento mais difícil de sua vida, sem entrar em detalhes, mas era evidente que foi algo crucial que o fez se apaixonar ainda mais por ela. Elogiei sua escrita, fiquei emocionado. Não pude esconder minha admiração. Quando perguntou se havia erros ou algo a melhorar, respondi: 'Está perfeito. Você escreve muito bem. É evidente que colocou seu coração nisso. Entregue a ela, não tenho dúvidas de que ela irá amar'. Ele me mostrou uma rosa vermelha que pretendia entregar junto com a carta. Que gesto romântico!

 

Chegou a hora dele descer; foi uma parada antes da minha. Nos despedimos, e ele agradeceu calorosamente. Era visível o brilho do amor em seus olhos, um jovem que aprendeu que o verdadeiro amor é natural, puro e transparente. Com uma carta de amor e uma rosa em mãos, o brilho de um futuro promissor estava estampado em seu rosto.