Crônica:
Uma Carta de Amor no Metrô
Ao entrar no metrô, um pouco cansado, procurei um lugar para sentar. Todos estavam ocupados, até que finalmente encontrei um assento disponível. Era uma daquelas cadeiras únicas que ficam de frente uma para a outra, também única. Em minha frente, um jovem vestindo uma blusa de time e shorts jeans, porém, fazendo algo diferente dos demais passageiros que estavam ocupados mexendo em seus celulares: ele estava escrevendo uma carta. No início, fiquei observando-o; ele parecia sorrir enquanto escrevia. Achei interessante e bastante poético alguém nos dias atuais optar por escrever uma carta, uma forma de comunicação que foi banalizada por muitos com a chegada da tecnologia. Embora compreensível, já que uma mensagem instantânea chega imediatamente, enquanto uma carta requer tempo. Ainda assim, a atitude era poética. Enquanto isso, o jovem continuava a escrever, parava, sorria e recomeçava. Era um ciclo vicioso. Aos poucos, voltei a me distrair com meu celular e minhas redes sociais, e acabei me esquecendo dele ali.
Concentrado em meu celular, não percebi que o vagão estava esvaziando. Já não havia quase ninguém ao nosso redor, e quando finalmente notei, me preparei para mudar de lugar, até que o jovem interveio. 'Olá, poderia me ajudar rapidinho? Já está de saída?', perguntou ele, um tanto nervoso e sorridente. Respondi imediatamente: 'Ainda não. Só desço na última estação. Em que posso te ajudar?'. Ele pediu minha opinião sobre uma carta que estava escrevendo para sua namorada. Inicialmente recusei, dizendo que não tinha autoridade para opinar, mas ele insistiu, e acabei lendo. Ele escrevia muito bem, demonstrando claramente seu amor pela moça e relembrando momentos especiais que compartilharam. Utilizavam a data do primeiro encontro de cada mês para marcar outros momentos significativos, como 'primeiro encontro, pedido de namoro, primeira viagem'. Ele se referia a essas datas como 'nosso dia'. Era encantador, não é mesmo? No final, mencionava que ela o ajudou a superar o momento mais difícil de sua vida, sem entrar em detalhes, mas era evidente que foi algo crucial que o fez se apaixonar ainda mais por ela. Elogiei sua escrita, fiquei emocionado. Não pude esconder minha admiração. Quando perguntou se havia erros ou algo a melhorar, respondi: 'Está perfeito. Você escreve muito bem. É evidente que colocou seu coração nisso. Entregue a ela, não tenho dúvidas de que ela irá amar'. Ele me mostrou uma rosa vermelha que pretendia entregar junto com a carta. Que gesto romântico!
Chegou a hora dele descer; foi uma parada antes da minha. Nos despedimos, e ele agradeceu calorosamente. Era visível o brilho do amor em seus olhos, um jovem que aprendeu que o verdadeiro amor é natural, puro e transparente. Com uma carta de amor e uma rosa em mãos, o brilho de um futuro promissor estava estampado em seu rosto.
