—Que bizarro! O que você é além de um relógio comum? De quem?
O garoto deixa o local da cena e tudo só volta a circular normalmente quando ele guarda o artefato.
Os dias vão se passando e o menino começa a usar novamente o relógio, ainda sem acreditar em seu poder.
Tudo muda, porém, quando ele usa o objeto para sair de uma briga na escola que ele mesmo causou, ainda que sem querer. Posteriormente ele usa para evitar um acidente. Entretanto ele percebe que nas duas ocasiões duas coisas muito ruins aconteceram em seguida: na primeira os seus algozes agrediram o amigo dele ao invés dele e o mesmo ficou bastante machucado e na segunda, bem, seu cachorro foi morto por três adolescentes diabólicos. Diante dos fatos ele passou a questionar se era saudável seguir usando aquele artefato.
O que ele não sabia era que tentar mudar a realidade com métodos questionáveis e alterar o passado não é algo perdoável, algumas coisas precisam acontecer para o amadurecimento e a evolução pessoal. Uma vez que se brinca de ter o poder, os danos podem ser irreversíveis.
O objeto era milenar e tinha a missão de mostrar a quem o encontrasse que tomar as decisões corretas são necessárias para evitar arrependimentos e por mais sofrido que seja o que se viveu, o passado não é mutável e ele é importante para ser quem somos hoje e futuramente.
O Tempo é um senhor bastante experiente que não se apoia em muletas, ele dispara como um atleta em plena corrida. Não usa dentaduras; tem dentes próprios, afiados o bastante para romper laços já gastos. Não caminha curvado pelo peso dos anos: mantém-se ereto, firme, encarando nos olhos aqueles que hesitam, que não sabem o que querem, não aceitam as consequências do que se fez ou se contentam em assistir à própria vida passar sem jamais descobrir quem são pelo simples medo de tentar, recomeçar e o principal: aprender.
